Se para certas famílias o fato de ter um filho ou um parente próximo envolvido com o cinema é as vezes motivo de orgulho, surpresa ou admiração, com certeza na família de Bruno Barreto isso parecia apenas uma conseqüência natural do meio. Filho dos produtores Luiz Carlos e Lucy Barreto, guardando uma moviola dentro de casa (onde foram montados alguns clássicos do Cinema Novo) e dirigindo pequenos filmes desde a infância, o jovem Bruno poderia se aventurar na direção de um longa na hora em que estivesse preparado.
Com a ajuda da avó, que lhe conseguiu um providencial financiamento, Bruno não tardou e aos 17 anos (isso mesmo, 17 anos!) dirigiu seu primeiro longa que, a despeito dos soporíferos filmes que vem cometendo na maturidade, mostra um vigor e uma segurança invejáveis para qualquer diretor veterano. Cercado da produção dos pais, da fotografia do também púbere Murilo Salles e da trilha-sonora de Dori Caymmi, a se julgar por “Tati, A Garota” (1973), Bruno Barreto prometia bem mais do que “Bossanova”.
“Tati, A Garota”, baseado no conto do genial ipanemense Aníbal Machado, é um filme maravilhoso, caso típico de obra que pretendendo narrar uma história simples, linear, forja-se também o retrato de um momento histórico. A classe-média baixa dos subúrbios, que migrava para a zona sul do Rio em busca de oportunidades nos anos 70, é personificada em Manuela (Dina Sfat), costureira que, morando na Penha, resolve viver a aventura de se mudar para uma quitinete em Copacabana, sonhando uma vida melhor para ela e a filha Tati (Daniela Vasconcelos).
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